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  Viagem  Após perder 42 mil moradores, Centro do Recife busca novo ciclo de ocupação urbana
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Após perder 42 mil moradores, Centro do Recife busca novo ciclo de ocupação urbana

Notícias RecifeNotícias Recife—junho 25, 20260
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O Centro do Recife perdeu quase 42 mil moradores em pouco mais de uma década. Segundo dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE, a população dos bairros centrais da capital pernambucana caiu de cerca de 78 mil habitantes em 2010 para aproximadamente 36 mil em 2022. A redução expõe um desafio enfrentado por diversas cidades brasileiras: como manter áreas históricas vivas e economicamente dinâmicas quando seus moradores deixam de ocupar esses territórios.

Ao mesmo tempo em que o esvaziamento residencial avança, iniciativas públicas e privadas tentam inverter essa tendência. De acordo com a Prefeitura do Recife, por meio do programa Recentro, os projetos em desenvolvimento na região central têm potencial para viabilizar até 50 mil novas unidades habitacionais ao longo dos próximos anos. A estratégia combina incentivos urbanísticos, recuperação de imóveis subutilizados, estímulo à moradia em áreas já dotadas de infraestrutura urbana e atração de novos investimentos para o centro da cidade.

O movimento ocorre em um momento em que centros históricos voltam a ganhar relevância no debate urbano nacional. Após décadas marcadas pela expansão periférica das cidades, cresce o interesse por modelos que aproximem moradia, trabalho, serviços e mobilidade. A reocupação de áreas centrais passou a ser vista por gestores públicos, urbanistas e especialistas como alternativa para reduzir deslocamentos, aproveitar infraestrutura existente e recuperar regiões que perderam densidade populacional.

No Recife, um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação é o antigo Moinho Recife. Durante décadas associado à atividade industrial e à paisagem portuária da cidade, o complexo passa por um processo de reconversão que prevê a transformação da estrutura em empreendimento residencial de uso misto. O projeto tornou-se um símbolo de uma discussão mais ampla sobre retrofit urbano — a adaptação de edificações existentes para novos usos — como ferramenta para ampliar a oferta habitacional sem comprometer a preservação do patrimônio construído.

A mudança ocorre em paralelo à expansão do Porto Digital. Dados divulgados pelo parque tecnológico mostram crescimento contínuo do número de empresas, empregos e investimentos instalados na área histórica da cidade ao longo das últimas duas décadas. O adensamento de atividades econômicas no bairro do Recife tem contribuído para recolocar a região central no mapa dos locais de trabalho, inovação e produção de conhecimento, fortalecendo o debate sobre a necessidade de ampliar também sua função residencial.

Experiências semelhantes vêm sendo observadas em outras capitais brasileiras. No Rio de Janeiro, programas municipais vêm incentivando a conversão de edifícios comerciais e imóveis ociosos em moradias na região central. Em São Paulo, iniciativas de retrofit e requalificação urbana também buscam ampliar a presença de moradores em áreas historicamente marcadas pelo uso predominantemente comercial. Em comum, essas políticas procuram equilibrar preservação patrimonial, habitação e desenvolvimento econômico, reforçando uma tendência nacional de retorno aos centros urbanos.

É nesse contexto que o tema estará em discussão durante a Conferência Regional CAU/PE 2026 – Arquiteturas Tropicais: Legado Moderno e Futuros Possíveis, que acontece entre os dias 1º e 4 de julho, no Recife. A programação será distribuída entre o Moinho Recife, o Senac Pernambuco e a Torre Malakoff, reunindo debates sobre patrimônio, habitação, mobilidade, sustentabilidade e desenvolvimento urbano. A escolha dos locais dialoga diretamente com os temas discutidos, especialmente no caso do Moinho Recife, hoje um dos exemplos mais simbólicos da transformação de estruturas históricas em novos usos urbanos.

Para Roberto Salomão, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU/PE), o desafio das cidades não se resume à recuperação física dos imóveis.

“As cidades precisam voltar a ser lugares de permanência. Não basta restaurar fachadas ou recuperar edifícios históricos se as pessoas não conseguem viver, trabalhar e construir vínculos nesses espaços. A revitalização dos centros urbanos depende da integração entre patrimônio, habitação, mobilidade e desenvolvimento econômico. Recuperar a vida urbana é tão importante quanto recuperar os edifícios”, observa Roberto Salomão.

A discussão ganha dimensão nacional com a participação da urbanista Adriana Levisky, referência brasileira em projetos de requalificação urbana e retrofit. Sua atuação em diferentes cidades do país reforça uma tendência que vem ganhando força nos últimos anos: reutilizar estruturas existentes para criar novas oportunidades de moradia, preservar a memória urbana e reduzir a expansão desordenada sobre áreas periféricas.

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Após perder 42 mil moradores, Centro do Recife busca novo ciclo de ocupação urbana

junho 25, 2026

O caso do Recife ilustra uma questão que desafia cidades em todo o Brasil: como trazer moradores de volta para regiões centrais sem abrir mão da preservação patrimonial, da inclusão urbana e da diversidade de usos. A resposta parece passar menos pela criação de novas áreas urbanas e mais pela capacidade de reinventar espaços que já contam com infraestrutura, serviços e identidade histórica consolidados.

Se os projetos atualmente em desenvolvimento forem implementados, o Centro do Recife poderá adicionar até 50 mil novas unidades habitacionais nos próximos anos, segundo estimativas do programa Recentro. Em paralelo, a continuidade dos investimentos na região central, a expansão das atividades econômicas ligadas ao Porto Digital e a reutilização de imóveis históricos deverão servir como indicadores concretos da capacidade da cidade de reverter uma perda populacional que marcou as últimas décadas e construir um novo ciclo de ocupação urbana para o centro da capital pernambucana.

FONTES DOS DADOS

IBGE – Censo Demográfico 2010 e Censo Demográfico 2022.

Prefeitura do Recife – Programa Recentro.

Prefeitura do Recife – Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento.

Porto Digital – Relatórios institucionais e dados de crescimento do parque tecnológico.

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Prefeitura do Rio de Janeiro – Programas de revitalização e retrofit do Centro.

Prefeitura de São Paulo – Programas de requalificação urbana e retrofit habitacional.

Fundação João Pinheiro – Estudos sobre habitação e reocupação urbana.

Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).

Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU/PE).

Natalia Mayrink
21998747616
[email protected]
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