A gestão do prefeito João Campos e do secretário Marco Aurélio Filho é alvo de duras críticas diante da situação de abandono do Centro Municipal de Referência e Cidadania LGBTI+, localizado na Rua dos Médicis, nº 86, no bairro da Boa Vista, área central do Recife. O equipamento, que deveria garantir acolhimento, proteção e acesso a direitos para a população LGBTI+, enfrenta há meses problemas estruturais, operacionais e de segurança, sem respostas efetivas do poder público.
Segundo relatos, o centro encontra-se tomado por mato, com sérios problemas de encanação e falta de água nos banheiros, comprometendo o atendimento às usuárias e usuários e as condições de trabalho da equipe técnica. Além disso, não há fornecimento regular de água mineral para consumo no equipamento. As denúncias indicam que essas falhas se estendem desde antes do período natalino e já foram comunicadas reiteradas vezes ao secretário Marco Aurélio Filho, sem que providências concretas tenham sido adotadas.
Outro ponto considerado gravíssimo é a ausência de segurança institucional. Profissionais do centro relatam que lidam diariamente com situações de alto risco, envolvendo usuárias em surto psicológico e pessoas em uso de substâncias psicoativas, sem qualquer suporte adequado. As ameaças à integridade física da equipe tornaram-se recorrentes, instaurando um clima permanente de medo no local.
Na tarde de ontem (6), por volta das 14h, a situação atingiu um nível crítico. Uma usuária que seria encaminhada para a Casa de Acolhimento Roberta Nascimento chegou ao centro acompanhada de seu companheiro, que apresentava comportamento agressivo por não aceitar que ela fosse acolhida e o deixasse. No local, encontravam-se dois conselheiros da rede de atendimento, que haviam ido buscar insumos no equipamento, que também funciona como almoxarifado.
De acordo com os relatos, em poucos minutos o companheiro da usuária, revoltado com o encaminhamento, iniciou uma discussão com os dois conselheiros, que partiram para agressão física contra ele, resultando em uma briga. Durante o episódio, o homem, que portava um facão, passou a ameaçar toda a equipe técnica, afirmando que esfaquearia os profissionais presentes. Segundo testemunhas, ele não conseguiu retirar a arma da bolsa a tempo, mas declarou que retornaria posteriormente para “terminar” o que havia começado.
Prints disponibilizados à nossa equipe reforçam a gravidade da situação e revelam o desespero do corpo técnico do equipamento, que relata medo constante pela própria segurança diante da falta de qualquer protocolo efetivo de proteção ou presença de segurança institucional no local.
Para trabalhadoras, trabalhadores e militantes da pauta LGBTI+, o cenário expõe o descaso histórico da gestão municipal com essa política pública. A pauta LGBTI+ no Recife, segundo denunciam, tem sido sistematicamente empurrada para debaixo do tapete. A mudança no comando da secretaria, com a entrada de Marco Aurélio Filho, não resultou em melhorias concretas, nem na estrutura do equipamento, nem na garantia de segurança e dignidade para quem trabalha e para quem depende do serviço.
Diante da sucessão de denúncias, permanece uma pergunta direta à gestão municipal: João Campos e Marco Aurélio Filho vão esperar que uma tragédia aconteça dentro do Centro Municipal de Referência e Cidadania LGBTI+ para, só então, agir?

